Capítulo 150 , Final.
— Visão de Lua
Às vezes, eu paro no meio da casa — geralmente quando tudo está um caos absoluto — e penso:
Se alguém tivesse me mostrado essa cena anos atrás, eu não teria acreditado.
Sol corre pelo corredor com uma fantasia improvisada, metade princesa, metade astronauta. Ester está sentada no tapete, concentrada demais tentando encaixar peças que claramente não foram feitas para se encaixar. Alyce ri alto no sofá, o riso solto, saudável, aquele tipo de riso que só existe quando o corpo já não dói mais. E Victor… Victor está no chão, tentando acompanhar todos eles com passos ainda desajeitados, mas cheios de vontade.
A casa é barulhenta.
Desorganizada.
Viva.
E isso, hoje, é tudo o que importa.
Eu lembro exatamente do dia em que pensei que não aguentaria mais. Do dia em que sentei no chão do banheiro, com Ester chorando no berço e Sol gritando porque queria pintar a parede de roxo “igual arco-íris de unicólio”, e eu só chorei. Chorei de cansaço, de medo, de insegurança, de amor dema