Capítulo 146, Caos colorido.
— Visão de Lua
Eu fiquei alguns minutos parada na frente da tela em branco.
Ela estava ali havia semanas, encostada na parede do ateliê improvisado que eu montei no quarto de visitas. Branca demais. Silenciosa demais. Como se estivesse me julgando por tudo o que eu deixei de fazer desde que a vida resolveu virar do avesso.
Respirei fundo.
— Chega — murmurei para mim mesma.
Eu sou formada em artes plásticas. Eu amo pintar. E fazia tempo demais que eu não tocava num pincel sem culpa.
Separei as tintas com cuidado quase cerimonial. Azul ultramar. Amarelo cadmium. Um vermelho que sempre me lembra sangue e coração ao mesmo tempo. Coloquei um avental velho, amarrei o cabelo, abri a janela.
E comecei.
O primeiro traço saiu tímido. O segundo, mais firme. No terceiro, eu já não estava mais pensando em nada além do movimento da mão, da textura da tinta, do jeito como as cores se encontravam sem pedir permissão.
Eu estava inteira ali.
Foi então que senti algo… errado.
Silêncio demais.
Quem é m