Lorena
Tem dia que a gente acorda com a alma leve, mesmo com o mundo desabando lá fora. Hoje não foi um desses dias. Acordei com um peso no peito, daqueles que já vem com gosto de tragédia anunciada. Não era cansaço. Não era TPM. Era alerta. Pressentimento de mulher — e mulher de favela sabe — não falha.
Kaíque tava ali, do meu lado, roncando leve, peito subindo e descendo como se nada tivesse acontecendo. Mas eu sabia.
Até o sono dele era armado. Dormia com o punho travado, igual quem espera o