Kaíque
Abrir aquela porta de ferro foi como assinar minha sentença. Mas dessa vez, eu não ia fugir. Não ia mais me esconder atrás de apelido, de fama, de respeito comprado na base do medo. Na favela, ou tu bota moral ou vira estatística. E eu já fui estatística demais. Agora era minha vez de reescrever essa porra toda — sem virar santo, mas também sem rastejar.
Acordei antes do sol nascer. O céu ainda era um borrão cinza, o ar carregado de silêncio pesado — o mesmo silêncio que vem depois de mu