Kaíque
O carteiro nunca sobe o morro. Nunca.
Mas naquele dia, Rato veio no pique, ofegante, suado e com um envelope na mão como se fosse um pacote de braba.
— Irmão… chegou isso aqui. É teu. Veio com teu nome completo e tudo. É dela… da Lorena.
O mundo parou. O morro calou.
Congelou meu sangue. Minha mão tremeu.
Peguei o envelope como se fosse dinamite. Mas o que explodiu foi meu peito.
Sentei na laje. Fuzil do lado, mato crescendo no canto, mancha de sangue seco no chão, cheiro de pólvora aind