Lorena
Acordei cedo naquele domingo. O sol nem tinha dado as caras direito, mas eu já tava de pé, com o corpo em movimento e o coração travado. Café no fogo, chinelo arrastando pela casa, e aquele silêncio… Um silêncio que, pra quem vê de fora, podia até parecer paz. Mas quem mora dentro de mim sabe: era só ausência barulhenta.
Tudo aqui carregava o nome dele. A caneca lascada no armário. A toalha que nunca voltei a lavar. O perfume dele que ainda brigava com o tempo pra ficar preso no lençol.