Laís
A manhã seguinte amanheceu com uma claridade que doía. Na ONG, o vai‑e‑vem de gente parecia mais alto do que o normal, e cada voz esbarrava no que tinha sobrado da noite anterior. Eu tinha dormido pouco. A frase “eu te amo” ainda martelava a cabeça como chuva insistente.
— Cara fechada de quem foi atingida por meteoros — decretou Gabriela, encostando o quadril na minha mesa.
— Eu só não dormi direito — respondi, tentando sorrir.
Rafaela chegou logo atrás, com o celular erguido.
— Infor