A tarde no hospital era cinzenta.
Não sei se o céu estava nublado ou se era só a minha alma. O quarto do Lucas tinha uma janela que dava para o estacionamento, e eu fiquei olhando para os carros entrando e saindo por um longo tempo antes de conseguir falar.
Ele estava na cama. Os lençóis brancos amassados. O braço esticado com o soro. O rosto magro, os olhos fundos. Parecia tão pequeno. Parecia tão frágil.
Mas os olhos dele – os olhos de mel que puxaram minha mãe – estavam duros. Ele sabia que