O carro voltou em silêncio.
Não era um silêncio confortável. Não era aquele silêncio que a gente compartilha com alguém que conhece. Era um silêncio de ferida aberta, de palavras não ditas, de ar que não circulava.
Victor não falou. Eu não falei. O motorista não existia naquele espaço.
Eu olhava pela janela fumê, mas não via nada. Só o reflexo do meu próprio rosto — pálido, os olhos vermelhos, a boca ainda inchada. A boca que ele tinha beijado. A boca que tinha respondido ao beijo como se o mun