Eu não dormi.
Não que eu esperasse dormir. Depois de tudo que aconteceu — o beijo, a distração, a briga, a frieza, a ameaça — o sono era um luxo que eu não podia pagar.
Fiquei sentada na poltrona do quarto do Lucas a noite inteira. A chuva tinha parado em algum momento, mas o céu continuava cinza, pesado, como se estivesse segurando algo. Como eu.
Lucas dormiu. A enfermeira veio duas vezes verificar o soro. O quarto estava silencioso, aquecido, seguro. Mas eu não conseguia relaxar. Cada vez que