CAPÍTULO 3

Yaren baixou o olhar e curvou a cabeça em um gesto de saudação.

— Muito prazer, Alfa Theron.

O Alfa manteve o olhar fixo sobre a serva. Seu punho estava cerrado, assim como a mandíbula, enquanto ele curvava levemente a cabeça, devolvendo a saudação de forma tensa.

— A Yaren é como uma irmã para mim — Leyla falou com seu jeito animado, alheia a situação tensa e olhares furtivos entre os dois.

— Eu e ela somos inseparáveis desses bebés, e pretendo levá-la comigo para sua alcateia quando nos casarmos. Espero que vocês dois sejam bons amigos!

Os olhos dourados do Alfa queimavam sobre a Serva, que tentava fugir deles a todo custo, apertando o tecido do vestido com as mãos trêmulas.

A presença dele estava se tornando sufocante para ela; o cheiro dele inundava sua mente com lembranças daquela noite: a voz rouca em seu ouvido, o calor dos corpos se fundindo, os gemidos que se tornaram um só.

Yaren levantou o olhar por um breve segundo e viu que os olhos dourados pareciam querer subjugá-la, como se fizessem várias perguntas sem respostas.

Ela engoliu em seco, desviando o olhar rapidamente, e virou-se para a amiga, mal conseguindo encará-la sem sentir culpada por toda aquela situação.

— Yaren, você está bem? — Leyla perguntou, preocupada, aproximando-se da outra.

— Seu rosto está vermelho, você está suando...

— E-Eu estou bem, Senhora. Vou me retirar por alguns instantes, com licença.

Yaren curvou-se para a noiva e para o Alfa, sem dirigir a ele um único olhar.

— Mas... — Antes que Leyla pudesse perguntar mais, viu a amiga se virar e sair apressada, desaparecendo entre a multidão.

— O que houve com ela? — perguntou para si mesma, confusa e preocupada.

Kallian acompanhou a serva com o olhar enquanto ela se afastava. Ele lutava para manter o lobo sob controle, quase quebrando a taça já quente em sua mão.

— Alfa Theron — Rafayel chamou baixo, próximo ao ouvido do Alfa para despertá-lo do transe.

Kallian piscou, voltando à realidade, e olhou para sua noiva.

— Eu perguntava se você gostaria de um passeio pela mansão antes da cerimônia — disse Leyla, sorrindo docemente.

— Eu... preciso me ausentar por alguns instantes. Com licença.

Kallian curvou a cabeça brevemente, entregou a taça ao seu Beta e saiu com passos largos, abrindo caminho pela multidão, na mesma direção em que ela havia partido.

Ele caminhou para fora da mansão amaldiçoando a mistura de feromônios e perfumes caros e fortes no ar.

Não conseguia rastrear o cheiro suave dela em meio a toda aquela confusão de cheiros.

"Encontre-a, humano tolo! Não se atreva a perdê-la outra vez!", o lobo uivava em sua mente, impaciente.

— Estou tentando! Fique quieto! — Kallian rosnou entre dentes.

Ele seguiu para o jardim, buscando clarear o olfato longe do salão.

De repente, seus pés pararam, Suas orelhas captaram o som de um soluço baixo, e aquele cheiro invadiu suas narinas novamente, fazendo seu coração disparar.

Em alguns passos, ele a encontrou, e todo seu corpo estremeceu ao ver ela ali, diante de seus olhos.

Yaren estava escondida entre os arbustos, chorando e amaldiçoando o destino, quando sentiu a presença que fez seu corpo estremecer.

Ela levantou a cabeça e seus olhos azuis travaram nos dourados do Alfa.

Sem hesitar, o Alfa deu passos largos até estar a meros centímetros dela. A mão dele subiu ao rosto dela, tocando sua pele com as costas dos dedos, como se tivesse medo de que ela fosse uma miragem e desaparecesse como das outras vezes.

— É você... é realmente você. — Sussurou ele.

O toque enviou ondas de choque por ambos.

Automaticamente, Yaren deu um passo atrás, mas Kallian foi mais rápido, envolvendo a cintura dela e puxando-a para junto de si.

— Não. Eu não vou deixar você escapar de mim outra vez. Não agora que finalmente te encontrei — ele sussurrou, o tom profundo e possessivo.

Yaren despertou do transe e desviou o olhar.

— Por favor, me solte, Alfa.

Os olhos dele escureceram diante daquelas palavras frias, e da recusa dela em encara-lo.

— Procurei por você em todos os cantos neste último ano. Agora que te tenho em meus braços, não pretendo soltá-la nunca mais, então nem tente fugir de mim outra vez, pois eu não vou permitir!

— Eu preciso voltar para o salão... minha senhora deve estar me procurando.

Ela tentou se soltar, em vão. As mãos dele eram como algemas de ferro em sua cintura.

— Alfa, por favor, não é adequado que fiquemos assim...

— Jamais. Já disse que não vou soltá-la. Além disso — ele inclinou o rosto, a respiração quente roçando o rosto dela

— já estivemos em uma situação muito mais íntima que esta.

O coração de Yaren falhou uma batida. O rosto corou violentamente.

— Aquela noite... foi apenas um erro — disse ela, tentando recuperar o fôlego e manter a postura.

Kallian rosnou baixo, cerrando os dentes. — Um erro?

— Isso mesmo!— Yaren levantou a cabeça, sustentando o olhar dele

—Foi um erro que não deveria ter acontecido e que jamais deve ser mencionado. Então, por favor, Alfa... me solte. Sua noiva está lá dentro esperando por você. Respeite-a, respeite a aliança entre as alcateias e se afaste de mim! Esqueça aquela noite, e me esqueça!

O aperto do Alfa se intensificou sobre ela.

Como ela podia pedir para ele se afastar dela e a esquecer? Eram companheiros!

Vendo que ele não respondia, Yaren tentou se desvencilhar, mas ele a prensou contra um pilar de mármore.

A sombra dele a cobriu. O olhar dele desceu para os lábios dela e, sem hesitar, Kallian se inclinou e tomou os lábios dela, para fazê-la lembrar de quem eles eram, e a quem ela pertencia.

Yaren paralisou, sua mente ficou em branco, e o mundo desapareceu quando aqueles lábios encontraram os seus novamente.

As grandes e firmes mãos dele desceram para o quadril dela, colando seus corpos de forma possessiva.

O beijo, inicialmente urgente, tornou-se profundo, faminto e demorado, com os dois saboreando cada segundo, incapaz de se desfazer.

Yaren fechou os olhos, suas mãos agarrando os braços fortes de Kallian sob o terno, entregando-se àquela força invisível que a atraía para ele desde o primeiro encontro.

Eles se separaram após um tempo que nem eles conseguiam calcular, apenas o suficiente para respirar, as testas coladas, as respirações pesadas se misturando.

Yaren entreabriu os lábios para dizer algo, mas foi interrompida por uma voz vinda atrás deles.

— Alfa Theron?

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