O silêncio que se seguiu à minha confissão não foi o silêncio do choque. Foi pior.
Foi o silêncio do cálculo.
Os olhos de Dante, sempre tão escuros e impenetráveis, percorreram meu rosto como se estivessem relendo um contrato com cláusulas que ele tinha ignorado. Vi os pedaços se encaixando em sua mente: a dignidade teimosa que ele confundira com insolência, o desconforto com caridade que ele interpretara como orgulho de pobre, o medo de vínculos que ele vira como frieza profissional.
Ele não pareceu surpreso. Pareceu recalculado.
— Magnelith — repetiu ele, a palavra saindo como um diagnóstico. — O império que desabou há quinze anos no maior escândalo de desvio de fundos do país. Os herdeiros fugiram para o exterior. Os ativos, congelados.
— Não desabou — corrigi, minha voz mais firme do que eu sentia. — Foi saqueado por dentro. E eu fui considerada um estrago colateral na limpeza.
Ele apenas assentiu, como se aquela informação se encaixasse perfeitamente em uma equação que ele estava