O táxi parecia se mover num pesadelo em câmera lenta. Encolhida no banco de trás, eu me agarrava às próprias mãos com tanta força que as unhas deixaram marcas crescentes na palma.
Respira. Só respira.
Mas o ar que entrava parecia não chegar aos pulmões. O pensamento girava num loop aterrorizante: ela está sozinha, ela está com medo, ela está morrendo.
Se eu tivesse uma família. Se ao menos tivesse uma tia, um primo, alguém para dividir o peso desse desespero que me esmagava o peito. Alguém para me segurar enquanto eu tremia, para dizer que tudo ia ficar bem mesmo mentindo. Mas não havia ninguém.
E agora, minha avó dependia de mim para viver.
A solidão nunca tinha pesado tanto. Era um fardo físico, uma âncora de chumbo arrastando-me para o fundo. Mas eu não podia afundar. Não ainda. Ela era tudo que eu tinha, e eu era tudo que ela tinha. Tinha que me recompor. Tinha que ser forte. Podia desabar depois, quando estivesse sozinha no anexo, no silêncio total. Mas não aqui. Não agora.
O hos