DANTE
O ar do carro trouxe o primeiro alívio verdadeiro que eu sentia desde que tinha saído de casa. Estar na mesma sala que Helen por mais de cinco minutos seguidos era um tipo específico de inferno. Um inferno silencioso, decorado com móveis de design.
Dirigi pelas avenidas largas em direção ao centro, as mãos firmes no volante, mas minha mente ainda presa naquela casa de pedra e vidro que eu mesmo tinha erguido como um monumento ao meu fracasso.
E, contra toda a lógica, contra toda a minha vontade férrea, o foco daquela mente inquieta não era a raiva por Helen, nem a preocupação com os números que me esperavam no escritório.
Era ela.
Elara.
A imagem dela parada na porta do meu escritório naquela manhã, pálida, com aquele vestido simples que falava mais de sua vida do que qualquer currículo. A surpresa que me atravessou ao reconhecê-la — não apenas a garçonete desastrada que despejara uísque em mim, mas a mulher da cabine escura.
Naquela última noite no clube, eu estava destruído e