DANTE
Helen parou.
A palavra que eu finalmente soltara – divórcio – ficou suspensa no ar entre nós, pesada e definitiva como uma lápide.
Ela não se virou. Seu corpo permaneceu voltado para a porta, os ombros rígidos sob o tecido caro do vestido. Por um momento, pensei que ela simplesmente sairia. Que engoliria aquilo, como engolia tudo – o desprezo, a distância, a frieza – e continuaria seu teatro de casamento perfeito para as aparências.
Mas então, lentamente, ela se virou.
Seu rosto não mostrava raiva. Não mostrava dor. Mostrava algo pior: um desdém gelado, tingido de um triunfo perverso.
— Divórcio? — Ela repetiu a palavra como se provasse seu sabor. Um sorriso fino e cruel surgiu em seus lábios. — Achou que seria tão fácil, Dante? Após tudo o que você me fez?
— O que eu te fiz? — A pergunta saiu com um riso sem humor. — Fui eu quem transformou nosso casamento num campo de batalha? Fui eu quem fugiu para outro continente cada vez que as coisas ficavam difíceis? Fui eu quem…
— Foi v