O sol entrou pelas frestas da janela com uma delicadeza que Helena não via há dias. Talvez semanas. Talvez meses. A luz suave se infiltrava entre as cortinas floridas do quarto, tocando os móveis antigos com uma ternura que lembrava o tempo. Ela demorou a abrir os olhos, mas quando abriu, não sentiu pressa.
Ainda estava ali. No quarto onde cresceu. O mesmo abajur de cúpula torta, o pôster antigo de uma peça de teatro que nunca estreou, a estante de livros com lombadas desgastadas. Não havia lux