Me movi rápido até onde ouvi o barulho. Cada sombra do lugar parecia um vulto. Abri a porta do corredor, olhei ate o final: vazio. Ninguém, nenhum sinal de presença além do pó que tremulava sob minha sombra.
Quando voltei, a vi me observando, os olhos dilatados, a mão ainda segurando o remédio.
— Tinha alguém? — perguntou ela, a voz um sopro.
— Não. — Disse, com a voz mais calma que consegui. — Vai ficar tudo bem.
Ela ergueu o olhar com uma faísca de algo que parecia quase humano: esperança. Era frágil, feita de cascalho, mas era real. Um aceno mínimo, e então Emma guardou o frasco contra o corpo, embrulhando o nos dedos como se fosse o último pedaço de si que restou.
— Obrigada — disse, voz baixa —. Eu… obrigado.
Não gostei dessa palavra naquele momento. Agradecimentos soavam como medalhas em quem não merecia. Ainda assim, deixei a com a medicação e um aviso seco:
— Fique longe das janelas amanhã. Fique perto das pilastras no lado sul. Não fale com ninguém. Nem com os olhos.