Meu corpo reage antes da mente. Me viro, engulo seco. Meu pai está ali, no batente do corredor, com o olhar atravessando a alma.
— Onde você estava?
— Fui levar o candelabro pro seu Zé, o zelador da basílica. Ele pediu que eu entregasse hoje de manhã, antes que ele fosse cuidar da mãe dele no interior.
Laura se mantém atrás de mim, com os olhos baixos, silenciosa.
Ele me encara, avaliando cada palavra como se tivesse o poder de ler intenções na respiração.
— E achou que não precis