O dia amanheceu com um céu pesado sobre Atenas - o tipo de cinza que anuncia não apenas chuva, mas também confissões.
Larissa observava o mar pela janela do quarto enquanto o vento fazia as cortinas dançarem.
Desde que Niko dissera "Amanhã, eu te levo até o penhasco", o sono se tornara impossível.
Havia algo na voz dele - uma mistura de promessa e sentença - que ecoava como o som de uma porta antiga se abrindo.
Pouco antes das nove, Niko apareceu.
Usava uma camisa escura, as mangas dobradas, e o olhar sombrio de quem carrega um passado pesado demais para o dia ser leve.
- Pronta? - perguntou, sem rodeios.
Larissa assentiu.
- Pronta.
O trajeto até Vouliagmeni foi silencioso.
O carro deslizava pela estrada costeira, revelando a imensidão azul do Egeu.
A paisagem era linda - e, ao mesmo tempo, trágica.
Quando pararam, Larissa entendeu o porquê.
O penhasco era alto, quase vertical, e terminava num mar revolto, onde as ondas batiam nas rochas com força.
Ali, o vento gritava.
E, por um inst