Havia algo de diferente em Zoe Andreadis desde o nascimento.
Enquanto os outros bebês choravam, ela olhava — olhos abertos, fixos, curiosos, como se quisesse entender o mundo antes de pertencer a ele.
Anos depois, aquele olhar continuava o mesmo: profundo, inquieto e, às vezes, um pouco distante.
Zoe tinha vinte e quatro anos, era pintora e professora de arte em uma pequena escola em Santorini, onde o azul do céu se confundia com o do mar.
Filha de dois símbolos — Alexandros e Melissa Andreadis, a história viva de um amor que desafiara tradições —, ela crescera cercada por beleza, mas também pela sombra da perfeição.
E isso era o que mais a atormentava.
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Naquela manhã, Zoe pintava no ateliê que havia montado atrás da casa branca com vista para o mar.
Telas enormes, pincéis espalhados, o cheiro doce da tinta misturado ao sal do vento.
Mas, por mais que tentasse, não conseguia terminar o quadro diante dela.
Era um retrato da estátua da Koré, a mesma que unira seus pais — só que em ve