A cidade de Atenas parecia diferente desde que Zoe voltara para lá.
O mesmo céu, o mesmo mármore antigo — mas tudo parecia mais nítido, mais vivo.
Talvez fosse amor. Ou talvez fosse o caos.
Fazia três meses desde a exposição “Luz em Ruínas”.
O nome Zoe Andreadis agora estava em catálogos internacionais, convites de museus, e até nas páginas de arte de Nova York e Paris.
Mas para ela, nada daquilo importava tanto quanto as manhãs silenciosas no ateliê de Dimitri, onde o café queimava, os pincéis secavam e o mundo parecia suspenso no tempo.
Naquela manhã, ele pintava enquanto ela o observava, sentada sobre uma pilha de livros.
— Você sempre pinta de costas pra janela. — disse ela.
— Luz demais me cega. — respondeu ele, sem parar de mexer no pincel. — Prefiro te ver refletida nas sombras.
Zoe sorriu, sem dizer nada. Era assim que Dimitri a fazia sentir:
uma mistura de inspiração e desordem, amor e vertigem.
Mas, ultimamente, havia algo diferente nele — uma tensão que não sabia nomear.
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