A brisa da Toscana tinha um perfume diferente — mistura de lavanda, uvas e paz.
Larissa observava os vinhedos do alto da varanda da casa em que viviam havia poucos meses. O sol da manhã acariciava os campos, tingindo tudo em tons de ouro. Ao longe, o som dos sinos de uma pequena igreja lembrava que, apesar de tudo, o mundo seguia em frente.
Niko ainda dormia no andar de cima. Desde o tiro, as noites dele eram curtas, marcadas por sonhos pesados. Mas, naquela manhã, ele parecia em paz. Respirava fundo, como se finalmente o corpo tivesse entendido que estava seguro.
Larissa fechou os olhos por um instante.
O passado ainda era uma sombra — mas agora uma sombra distante.
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Quando Niko desceu, com o cabelo desalinhado e uma camisa branca parcialmente aberta, ela sorriu.
— Dormiu bem? — perguntou ela, colocando uma xícara de café sobre a mesa de madeira rústica.
— Melhor do que nas últimas semanas — respondeu ele, sentando-se. — Acho que meu corpo finalmente acredita que não estamos sendo