O som do relógio marcando a meia-noite parecia ecoar dentro da mente de Larissa.
A foto no celular ainda queimava sua visão - ela e Niko, juntos, observados de algum lugar invisível.
O mar rugia lá fora, e pela primeira vez desde que chegara à Grécia, ela se sentiu verdadeiramente vulnerável.
Respirou fundo, tentando decidir se devia contar a ele.
Mas o instinto - aquele mesmo que a havia guiado por toda a vida - sussurrava que esconder era mais perigoso do que falar.
Com passos decididos, atravessou o corredor silencioso e bateu na porta do escritório.
- Entre. - A voz de Niko veio grave, cansada.
Larissa entrou, o celular ainda tremendo em sua mão.
Niko estava de pé junto à janela, o rosto meio iluminado pela luz do luar. Parecia uma escultura viva - linda, mas feita de dor.
- O que houve? - perguntou ele, percebendo o tom dela.
Larissa entregou o celular.
- Isso. Recebi há quinze minutos.
Ele pegou o aparelho e observou a imagem com a expressão fechada.
O maxilar dele tensionou.
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