O amanhecer em Santorini sempre fora uma pintura viva.
Mas naquele dia, parecia mais — parecia o fechamento de um ciclo.
No terraço da antiga casa branca dos Andreadis, Iris observava o horizonte.
O mar, o mesmo mar que havia separado e unido tantas gerações, refletia o ouro do sol nascente.
Erik, agora com cabelos grisalhos e olhar sereno, preparava café.
— Ainda procurando a luz perfeita? — ele perguntou, sorrindo.
— Não. Só observando a que encontrei.
Ela se virou e o fotografou — o clique suave, quase ritualístico, como uma oração.
Ao longo dos anos, o som da câmera havia se tornado o batimento do tempo deles.
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O estúdio que Iris mantinha em Santorini era um refúgio para artistas jovens.
Lá, fotógrafos e escultores do mundo todo aprendiam o que ela chamava de “arte emocional” — o poder de transformar sentimentos em forma, cor e sombra.
Nas paredes, fotos antigas misturavam-se às novas: rostos de crianças, mãos enrugadas, paisagens que respiravam amor.
E no centro,