Capítulo 97

Ele permanece imóvel diante de mim, uma presença pesada que parece ocupar cada sombra desta sala. Os braços cruzados sobre o peito largo não são apenas postura — são muralhas erguidas ao redor de um homem que aprendeu, cedo demais, a aguardar sempre o pior.

E eu me pergunto, pela primeira vez, se Luciano alguma vez espera algo diferente.

Depois de tudo o que atravessou, depois de ver sua família ruir, de sobreviver quando muitos não sobreviveram… talvez essa seja a única forma que encontrou de existir: preparado para o próximo golpe, o próximo inimigo, a próxima perda.

Eu sinto minha garganta arder quando tento falar.

— Eu não vou estar grávida no próximo mês. — Minha voz sai pequena, trêmula. — Talvez nem no outro. Na verdade, eu… eu não sei quanto tempo vai durar. Não tenho ideia.

É como se um fio invisível se rompesse dentro dele.

A mandíbula dele se contrai com tanta força que vejo o músculo saltar.

Luciano não respira.

Não pisca.

Não se move.

— Que diabos você está falando? A pe
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