Ele permanece imóvel diante de mim, uma presença pesada que parece ocupar cada sombra desta sala. Os braços cruzados sobre o peito largo não são apenas postura — são muralhas erguidas ao redor de um homem que aprendeu, cedo demais, a aguardar sempre o pior.
E eu me pergunto, pela primeira vez, se Luciano alguma vez espera algo diferente.
Depois de tudo o que atravessou, depois de ver sua família ruir, de sobreviver quando muitos não sobreviveram… talvez essa seja a única forma que encontrou de existir: preparado para o próximo golpe, o próximo inimigo, a próxima perda.
Eu sinto minha garganta arder quando tento falar.
— Eu não vou estar grávida no próximo mês. — Minha voz sai pequena, trêmula. — Talvez nem no outro. Na verdade, eu… eu não sei quanto tempo vai durar. Não tenho ideia.
É como se um fio invisível se rompesse dentro dele.
A mandíbula dele se contrai com tanta força que vejo o músculo saltar.
Luciano não respira.
Não pisca.
Não se move.
— Que diabos você está falando? A pe