— O que você disse? Minha voz sai baixa, quase um fiapo.
Luciano me encara como se tentasse atravessar meus pensamentos com o olhar. Tento sustentar sua expressão, mas meus olhos escapam para o mapa de cicatrizes e tinta espalhado pelo corpo dele. Aquelas marcas o endurecem de novo, como se fechassem uma porta que, por um segundo, ele tinha deixado aberta para mim.
Por um instante, só um, ele tinha me deixado tocá-lo.
Tinha me permitido ver mais do que deveria.
E agora parecia arrependido.
As cicatrizes, a tinta, a forma como ele vive no escuro… tudo gritava uma história que ele não quer ouvir, muito menos contar.
Respiro fundo e tento começar.
— Eu não quis dizer aquilo. Nada daquilo. Minha voz falha. Aquela noite no escritório dele ainda me queima por dentro. A discussão, a raiva, o que ele me disse. A frase que ainda ecoa na minha mente.
“Você me deixou doente.”
Meu estômago dá um nó só de lembrar.
— O quê? Ele repete com a mesma frieza que usou quando disse que minha vida dependia