O pensamento me atravessa como uma lâmina e eu devia ter drogado ela.
Devia ter apagado sua consciência antes de trazer seu corpo trêmulo até aqui.
Seria mais fácil.
Mais rápido.
Menos… perturbador.
Mas agora já é tarde demais.
A verdade é que, talvez, eu precisasse que ela estivesse acordada.
Precisava que ela sentisse.
Precisava que entendesse que nada, absolutamente nada, estava mais sob seu controle.
Pego a maleta onde guardo minha pistola, mas não é a arma que me interessa.
É o peso dela.
A frieza.
A lembrança do que sou capaz.
Rosália se remexe na cama como se pudesse se soltar pela força do desespero. Os nós da corda apertam seus pulsos, sua respiração é curta, seus olhos estão arregalados e brilham como vidros rachados.
— Fique quieta, eu ordeno, a voz baixa, mas tão cortante que poderia ferir. Ou vai doer mais do que você pode imaginar.
Ela fecha os olhos.
Uma tentativa patética de se esconder.
As lágrimas escorrem pelas bordas dos cílios, silenciosas, desesperadas.
Eu afrou