O som da respiração dele é a única coisa que ouço. Lento, controlado, perigoso. Cada expiração é como uma sentença sendo escrita no escuro. Ele continua ali, frente a mim, o corpo tenso, as mãos ainda presas à minha pele. Sinto a força que ele impõe, mas há algo mais terrível que a própria violência do toque: o ódio. O ódio dele é sólido, palpável. Tão frio quanto o ferro que me mantém cativa.
Meu corpo inteiro treme, não apenas de medo, mas de uma mistura confusa de sentimentos que me rasgam por dentro. Medo. Raiva. Nojo. É uma dor profunda, que não sei se nasce do corpo ou da alma.
— O que eu vou fazer com você... Ele murmura, baixo, quase para si mesmo, e a frase paira no ar, incompleta, ameaçadora.
Minha garganta seca. Tento falar, mas o som morre antes de sair. Não adianta. Ele não quer me ouvir. Quer me ver despedaçar. Quer me fazer pagar por um crime que não cometi.
— Luciano... Minha voz é quase um sussurro. Eu juro... eu não fiz isso...
Ele ri. O som é rouco, sombrio, e arrep