Deslizo entre o sono e a vigília, presa num limbo onde o tempo se dissolve. Minha cabeça pende, golpeando o braço, e a dor que percorre meu pescoço me arranca do torpor. Os ombros latejam como se ardessem em brasas, e o estômago ronca alto, lembrando-me de que a fome é uma tortura constante. Estou exausta, faminta e sedenta. A exaustão é tamanha que os pensamentos se embaralham, transformando-se em ecos sem sentido.
A chuva cai lá fora, arrastando-se pela parede de pedra. Posso ouvi-la deslizando sobre o musgo que cresce ao redor da janela, traçando pequenos rios que serpenteiam até o chão. O som é ao mesmo tempo reconfortante e cruel, como se a própria natureza lamentasse minha prisão.
Espiro. O ar frio corta o interior da garganta.
Estou congelando.
Quanto tempo se passou? Quantas horas ou dias ele me deixou pendurada aqui?
E quanto mais tempo planeja me manter assim, suspensa entre a dor e o esquecimento?
Um estalo interrompe meus pensamentos. Algo range lá fora um galho quebran