Francisco chega até mim com o envelope amarelo nas mãos como se carregasse uma sentença. A expressão dele é tensa, dura, quase sombria. Ele não diz nada apenas observa enquanto eu rasgo a aba e puxo o que há dentro.
Uma única folha.
Uma nota manuscrita.
"Quer sua esposa de volta? Venha buscá-la."
Meu sangue gelado se transforma em fogo. Abaixo da frase, um endereço. Curto. Direto. Um recado que não deixa espaço para dúvidas. Quem deixou isso no portão da minha casa queria que o envelope fosse encontrado. Queria que eu fosse atrás. Queria que eu mordesse a isca.
Ou queria que eu morresse tentando.
O ar fica quente demais. Meu peito aperta demais. É como se o bilhete fosse um punho pressionando meu pescoço.
Francisco parece ler cada pensamento que passa pela minha cabeça enquanto me acompanha até o carro.
— Chefe, eu já mandei homens para lá agora. A voz dele é firme, mas tem algo comedido por baixo. Se ela estiver realmente naquele endereço, eles podem tirá-la antes mesmo de che