Em casa.
Na casa de Luciano.
No meu quarto.
Mesmo que agora ele se pareça muito mais com uma cela do que com qualquer lugar seguro. As paredes são as mesmas, os móveis são os mesmos, mas tudo parece distorcido, estranho, ameaçador. Nada aqui me acolhe. Tudo me observa.
Ele deve estar com tanta raiva de mim.
Eu fugi dele.
Eu carregava o filho dele no meu ventre… e tentei tirá-lo da própria existência com aquele punhado de comprimidos. Eu sabia exatamente o que poderia acontecer quando engoli toda aquela aspirina. Sabia dos riscos. Sabia da possibilidade de morrer. Sabia da possibilidade de perder o bebê. E mesmo assim… eu tomei.
Não foi uma decisão racional. Não foi planejada com calma. Foi desespero. Um desespero que me tomou inteira, arrancando qualquer vestígio de lógica.
Mas desespero por quê?
Por atenção.
Por ele.
Por Luciano.
Eu queria que ele me visse. Que me escutasse. Que me sentisse. Eu queria ser mais importante do que o orgulho, mais forte do que a distância que ele mesmo c