Ele estava visivelmente alterado. O cabelo bagunçado, o rosto tenso, os olhos cansados, duros. Parecia mais velho, mais frio. Vestia uma camisa de botões e jeans. A camisa estava amarrotada, com cheiro de noite mal dormida. Ele não estava com a jaqueta que usava quando saiu comigo. Parecia que tinha simplesmente dormido vestindo aquilo mesmo.
Ele se aproximou sem dizer nada. Segurou meu queixo com força e virou meu rosto para o lado, forçando-me a expor o hematoma. Seus dedos estavam frios, e o toque dele, naquele momento, me causou arrepio de repulsa.
— Eu avisei para você não criar dificuldades pra eles — disse, soltando meu rosto logo em seguida.
Minha pele ardia onde seus dedos estiveram. Esfreguei o queixo no próprio ombro, tentando apagar a marca daquele toque. As imagens dos últimos momentos na garagem vieram como flashes desordenados: o batom que encontrei no carro. O silêncio pesado de Daniel quando perguntei sobre aquilo. Minha garganta apertou.
— Henrique… — chamei de novo,