Francisco estaciona o carro ao lado do meu no estacionamento vazio do shopping abandonado, aquele mesmo que fechou há anos e virou apenas um esqueleto de concreto no meio da cidade. As luzes dos postes piscam de forma irregular, criando sombras longas no asfalto rachado. O lugar é tão morto quanto o silêncio que pesa dentro de mim agora.
Eu parei ali apenas para tentar me orientar. Para forçar meu cérebro a ir para qualquer outro lugar que não fosse o rosto dela. Para tentar pensar em mais um ponto no mapa onde eu ainda pudesse procurar. Já voltei ao hospital. Ao quarto de Vittorio. Duas vezes. Já revi o antigo prédio onde ela morava. A escola. As poucas pessoas fora da Facção com quem ela cruzou palavras de passagem. A casa da família dela está sob vigilância. Todos estão sob vigilância. Cada vínculo, cada ponta solta. Mesmo assim… nada.
E dirigir sem destino pelas ruas da cidade só piora tudo. Só alimenta essa insanidade que cresce em silêncio nas partes mais escuras da minha mente.