Quando tiraram o saco da minha cabeça, a primeira coisa que veio foi a dor. Não a dor dos pulsos ainda amarrados atrás das minhas costas — embora ela fosse absurda, quase queimando por dentro da pele —, mas a da luz batendo direto nos meus olhos, forte demais depois da escuridão. Pisquei várias vezes, tentando entender onde eu estava, tentando organizar a respiração que vinha curta, descompassada, quase em soluços.
Meus pulsos ardiam. As amarras estavam cravadas na carne, cortando, apertando, como se quisessem me lembrar o tempo todo que eu não tinha controle algum sobre o próprio corpo. Cada pequeno movimento fazia a corda raspar mais fundo, arrancando de mim uma careta silenciosa de dor. Eu não sei se aquilo era para me manter desequilibrada, para impedir que eu tivesse qualquer chance de correr… mas, sinceramente, nem precisavam disso. Eu não correria. Não daquele lugar. Não daquele jeito. Não naquele estado.
A porta do quarto não estava trancada, eu percebi isso assim que encontre