LARA
O sol da tarde invade a varanda. Levo duas xícaras de chá para o andar de cima, onde minha mãe passa a tarde lendo na poltrona.
Hoje, no entanto, há mais cor em suas bochechas. Ela usa um lenço azul-claro nos cabelos e segura o livro com mais firmeza. Não é a mesma mulher que voltou do hospital quebrada por dentro. Mas também não é a mulher de antes. Ainda há rachaduras, mesmo que o brilho nos olhos tente escondê-las.
— Trouxe chá — digo, com a voz leve.
— Maçã com canela? — Ela sorri sem