Mundo de ficçãoIniciar sessãoACOMPANHANTE VIRGEM Marina tem apenas dezenove anos quando vê sua vida desmoronar. Com o pai incapacitado após um acidente e a mãe sobrecarregada, ela tenta manter tudo de pé — até o dia em que uma notificação chega e muda tudo. Endividados há meses, sua família tem apenas dois meses para quitar a dívida ou perder o único lar que possuem. Procurando uma saída, Marina se vê diante de uma escolha que jamais faria em circunstâncias normais, uma decisão que fere seus princípios e tudo aquilo em que acredita. Para salvar sua família, ela aceita a proposta de uma amiga e entra em um mundo que nunca imaginou conhecer. Em um evento secreto, onde homens ricos compram a dignidade de pessoas em um único lance, Marina se vê submetida a uma situação que a coloca no limite de si mesma. Do outro lado está Fernand, um empresário poderoso do ramo de hotelaria, acostumado a controlar tudo ao seu redor. Ele não acredita em sentimentos, não se envolve e muito menos paga por mulheres. Mas, naquela noite, ao perceber que Marina não está ali por escolha, mas por necessidade, algo muda. O que deveria ser apenas um acordo… se transforma em algo intenso, perigoso e impossível de ignorar. Porque algumas escolhas salvam famílias. E outras… cobram um preço alto demais.
Ler maisDOIS MESES
Nunca imaginei que dois meses pudessem arruinar uma vida inteira, mas foi exatamente isso que aconteceu. — Ao entrar em casa, ainda com a mochila a tiracolo, senti de imediato que algo estava errado. O silêncio era pesado e diferente, como se o ar houvesse parado de circular, como se a casa inteira estivesse prendendo a respiração. — Mãe? — chamei, fechando a porta com cautela, e então a vi. — Sentada no sofá, com os olhos inchados e segurando um papel com as mãos trêmulas, ela parecia perdida. Ao lado, meu pai estava curvado, abatido de uma forma que eu nunca havia visto antes. — Meu irmão se encostava na parede da cozinha, excessivamente quieto para sua idade, enquanto minha irmãzinha parecia pequena demais para compreender, mas grande o suficiente para perceber que algo ruim estava acontecendo. Meu coração disparou. — O que aconteceu? Minha mãe demorou a responder; finalmente, estendeu o papel em minha direção. — Com mãos trêmulas, peguei o documento e comecei a ler. — À medida que as palavras se tornavam claras demais para serem ignoradas, senti o sangue escoar de meu rosto: nossa casa iria a leilão. Estávamos inadimplentes há quase um ano, e tínhamos apenas dois meses para quitar a dívida, ou perderíamos tudo. — Meu estômago se apertou, e eu levantei os olhos lentamente, encarando meus pais. — E agora, papai… como nós vamos resolver isso? Ele esfregou o rosto, visivelmente envergonhado, e essa expressão me impactou mais do que qualquer palavra. — Eu não sei, minha filha, você sabe que estou desempregado há algum tempo… desde aquele acidente. — Estou tendo dificuldade para andar, e nenhuma empreiteira quer me contratar. Sempre trabalhei em obras, fui mestre de obras, mas agora ninguém confia em mim para liderar. — Faz seis meses que estou em casa, vendo você e sua mãe carregarem todo o peso… e isso está me matando. Percebi a fragilidade de sua voz no final da declaração. Minha mãe colocou a mão sobre a boca, chorando. — Estou desesperada, filha… se perdermos essa casa, para onde iremos? Ninguém na família nos acolherá. — Você sabe como são as coisas… ninguém quer problemas, e agora somos um problema. —Além disso, o futuro parece incerto e assustador. A ideia de não ter um lugar para chamar de lar me preenche de uma profunda angústia, como se uma sombra pairasse sobre nossas vidas. — Cada dia que passa traz uma nova incerteza, transformando nossa rotina em um ciclo interminável de ansiedade, como um barco à deriva em um mar tempestuoso. Olhei ao redor, absorvendo cada detalhe daquela casa simples. Cada marca do tempo, cada lembrança impregnada nas paredes, desde os risos infantis até os momentos de aconchego em família, me fazia perceber, pela primeira vez, que aquele lugar já estava escapando das nossas mãos. — Meu irmão evitava me olhar, tentava ser forte, mas o medo era evidente em seu semblante, refletido nas rugas de preocupação na sua testa. Minha irmãzinha, por sua vez, permanecia quieta demais, como se já entendesse que algo muito ruim, como a possibilidade de deixar nosso lar, estava prestes a acontecer. — Naquele momento, compreendi que dois meses não eram apenas um prazo; eram uma contagem regressiva, como o tique-taque de um relógio que ecoava em minha mente. No dia seguinte, na faculdade, me vi incapaz de me concentrar. — As palavras do professor se perdiam em meio a uma névoa de pensamentos, todos eles voltados para aquela sala, aquele papel, e a imagem do meu pai derrotado, com o olhar perdido, e da minha mãe chorando sem saber o que fazer. — Era como se estivesse assistindo a um filme trágico; a cada cena, o peso da realidade aumentava. Sabrina, que me conhecia bem demais, percebeu minha agitação antes mesmo que eu dissesse algo. — Puxou uma cadeira ao meu lado e me observou com atenção, sem pressa de falar. — O que aconteceu com você? — perguntou, com essa preocupação genuína que só os verdadeiros amigos têm. Respirei fundo, tentando manter o controle, mas a verdade escapuliu antes que eu conseguisse me proteger dela. — A minha casa vai a leilão. A gente tem dois meses para pagar cinquenta mil reais, ou perder tudo. As paredes que sempre nos protegeram podem se tornar estranhas à nossa vida, e o medo de perder tudo nos consome. Ela ficou em silêncio por alguns segundos, absorvendo a informação com uma calma que me incomodou. — O silêncio parecia se estender, como se cada segundo fosse um lembrete do peso da situação. — Eu posso resolver esse problema, basta você aceitar, — afirmou ela, com convicção. Soltei um riso sem humor, passando a mão pelo rosto, incapaz de acreditar que ela realmente achava que isso poderia ser resolvido tão facilmente. — Sabrina, nem eu consigo resolver isso, — respondi, sentindo a frustração crescer. Ela se inclinou na minha direção, abaixando o tom de voz, como se aquilo pudesse tornar a conversa menos pesada. — Eu consigo, mas você tem que querer. — Seus olhos eram firmes, como se seguissem um plano que eu não conseguia vislumbrar. Franzi a testa, desconfiada, buscando entender o que ela realmente queria dizer. — Como? — perguntei, a curiosidade misturada com receio. Sabrina sustentou meu olhar antes de responder, uma determinação inabalável em seu semblante. — Eu não trabalho como promotora de eventos. — A revelação estava prestes a mudar tudo. Meu coração disparou, a dúvida se instalou: onde ela queria chegar? — Então trabalha com o quê? — indaguei, uma pontada de incerteza na voz. — Eu sou acompanhante de luxo, as palavras dela caíram como uma bomba. O impacto foi avassalador; por um instante, fiquei sem reação, tentando processar o que isso significava. — Você é uma prostituta amiga? — questionei e a incredulidade tomando conta de mim. — Não, escolho com quem eu saio, trabalho com homens ricos, estrangeiros, gente que paga caro por companhia, e foi isso que tirou a minha família da miséria, mas eles não sabem que trabalho assim. — Ela falou com uma segurança que me deixou atordoada, como se cada palavra fosse parte de um plano maior. Fiquei em silêncio, tentando encaixar aquela realidade na imagem da pessoa que sempre conheci. — Não conseguia entender como a Sabrina que eu admirava poderia estar envolvida nisso. — E o que isso tem a ver comigo? — perguntei, e minha mente está fervilhando com a ideia de que eu poderia estar conectada a esse mundo. — Você é virgem, e se for virgem eles fazem um lance, como leilão, eles ficam com 40 % e você fica com a maior parte, e tenho certeza que ao menos cem mil você pega. — A afirmação dela era direta, cortante. Meu corpo inteiro enrijeceu, um pavor inexplicável me dominou. — Sabrina… — lancei, a voz trêmula, tentando processar o que ela estava sugerindo. — Escuta — ela continuou, firme — existem eventos privados onde homens pagam muito, e pela primeira vez, você não precisa continuar, se conseguir o dinheiro certo. Você resolve a vida da sua família e acabou, ninguém vai saber que era você. — As implicações da proposta me deixaram paralisada. Fechei os olhos por um instante, sentindo o peso da proposta me esmagar, como se uma tempestade se formasse dentro de mim. — Eu queria que fosse com alguém que eu amasse… — confessei, um desejo profundamente enraizado em meu ser. — Nem sempre quem amamos nos salva — respondeu, sem suavizar. — Eu perdi minha virgindade com alguém que eu amava e fui descartada. Infelizmente, às vezes, as nossas emoções não garantem proteção ou segurança. — Você pode usar a sua virgindade para salvar a sua família. As palavras dela ecoaram em mim, misturando dor e medo com uma verdade difícil de aceitar. Pensei em tudo o que estava em jogo: dois meses até a possível perda da casa, um pai doente, uma mãe em desespero e dois irmãos que dependiam totalmente de mim. Era uma situação agonizante, mas era a realidade que eu tinha que encarar. Respirei fundo, tentando reunir coragem e abri os olhos lentamente. — Se eu fizer .é só uma vez? E ninguém vai saber quem eu sou né? — Só uma vez, se você tiver a sorte no lance de vender a virgindade. O silêncio que se seguiu não era um vazio; era a decisão sendo forjada a partir do peso da necessidade. — Tudo bem, vou com você, farei para salvar minha família.AS MÁSCARAS DE PARISBIANCA FERRERJogo o celular sobre a colcha de seda da cama de casal, sentindo o sangue arder nas minhas veias. A suíte master do hotel de altíssimo luxo onde estou hospedada em Paris parece subitamente sufocante. Caminho de um lado para o outro, os punhos cerrados e a respiração descompassada pelo ódio que a voz fria de Sebastian me causou.— Desgraçado! — esbravejo, chutando uma das almofadas de veludo que decora o chão.Na sacada do quarto, o meu amante se vira lentamente. Ele dá o último trago no cigarro e joga a ponta no cinzeiro de cristal, caminhando para o interior do ambiente com aquele andar calmo e felino que me atraiu desde o primeiro dia. Ele veste apenas uma calça de linho claro, exibindo o peitoral bronzeado sob a luz suave do fim de tarde parisiense.— O que foi, meu amor? — ele pergunta, cruzando os braços, com um sorriso de canto que mistura curiosidade e deboche. — Por que essa fúria toda
O CONTRAPESO DA GANÂNCIASEBASTIANQuando saio da casa de Marina e dou o primeiro passo na rua de terra batida, o ar abafado da tarde parece pesar o dobro nos meus ombros. Entro no carro, fecho a porta e permaneço alguns segundos com as mãos apoiadas no volante, apenas assimilando o que acabei de presenciar. Eu vejo o quão humildes eles são. Humildes e profundamente dignos. A pobreza daquele lugar não corrompeu o caráter daquele pai, nem a doçura daquela mãe. Agora, compreendo perfeitamente o desespero de Marina. Consigo sentir na pele o peso do sacrifício que ela fez por essa família. Eu tenho tanto, um império de bilhões que mal consigo mensurar, e ela, com a única coisa que possuía de valor real, a sua pureza, salvou a vida daqueles que amava. Ela entregou tudo o que tinha para manter o teto sobre a cabeça dos pais.E em contrapartida, há Bianca.Ligo o motor do carro, sentindo uma onda de indignação subir pelo meu peito ao lembrar da
A REDENÇÃO DO PATRIARCAMARINAEu vejo que o meu pai está completamente desorientado. Ele passa a mão trêmula na cabeça, empalidecendo a ponto de deixar a minha mãe em pânico, pois ela sabe que ele sofre com sérios problemas de pressão arterial. O silêncio dele é pior do que qualquer grito.— Papai, calma, por favor! — peço, ajoelhando-me perto dele, sem soltar a mão de Sebastian. — Não pense que ele está se aproveitando de mim, nem que vai largar a esposa por minha causa, e muito menos que eu serei a amante dele. O Sebastian vai assumir a paternidade das crianças em cartório. Ele pediu que eu saia deste bairro para a segurança de vocês e para a segurança dos nossos bebês. O Sebastian é um homem muito rico, e se pessoas do meio em que ele vive descobrirem que ele tem filhos aqui, podem tentar algo contra a gente. Quando ele voltar para os Estados Unidos, vai contar tudo para a esposa dele. Eu não vou ser amante dele, mas ele está comprando um apa
O JULGAMENTO DO PASSADOSEBASTIANO pai de Marina, um homem de semblante severo e mãos calejadas pelo trabalho pesado, aponta para as cadeiras da sala com um gesto rígido. Ele me avalia de cima a baixo com um olhar que mistura desconfiança e orgulho ferido.— Estou ouvindo o que você tem para falar, minha filha. Pode falar — ele diz, a voz rouca e firme, ignorando por um instante a minha presença imponente naquele espaço tão pequeno.Percebo que Marina está extremamente nervosa. A respiração dela é curta, e o seu corpo chega a tremer discretamente ao meu lado. Sem hesitar, seguro na mão dela, oferecendo o único apoio físico que posso dar neste momento de vulnerabilidade. É um gesto automático de proteção. No entanto, o movimento faz com que o pai dela desvie o olhar direto para os nossos dedos entrelaçados. Ele fixa os olhos na aliança de ouro que reluz na minha mão esquerda. Consigo ver o momento exato em que ele engole em seco, o maxil





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