O elevador subiu lentamente. Laura sentiu o peso de cada andar, cada movimento, cada vibração do prédio como se o mundo estivesse conspirando para deixá-la vulnerável. Ela segurava a pasta contra o corpo, postura reta, respiração controlada. Nada podia mostrar fraqueza.
Quando as portas se abriram, ele estava lá.
James McCall.
Encostado na parede do corredor, olhando a tela do celular, como se estivesse esperando por ela.
— Bom dia, Laura — disse, sem levantar a voz, mas com aquele tom que fazia o coração dela bater mais rápido do que deveria.
— Bom dia — respondeu, firme, olhando para frente, fingindo que não sentia o efeito que ele causava apenas estando perto.
Ele caminhou em sua direção, passos lentos, calculados. Cada movimento era uma demonstração de presença e poder. Ela sentiu o ar mudar ao redor dele — e dentro dela.
— Vai ter tempo para o café? — ele perguntou, aproximando-se apenas o suficiente para que o perfume dele invadisse seu espaço sem toque.
— Estou atrasada — respondeu, sem se virar. — Mas obrigada pela preocupação.
Ele sorriu de canto, satisfeito com a resposta — ou talvez com a resistência dela.
— Sempre ocupada. Fico feliz em ver que mantém seu foco.
Ela sentiu a aproximação do corpo dele quando entrou na mesma sala. Ele passou por ela, e o toque sutil do braço encostando no dela fez Laura prender a respiração por um instante.
— Não faça isso — disse, mais para si mesma do que para ele.
— Fazer o quê? — perguntou ele, sorrindo de lado, olhando para frente como se fosse natural. — Reagir? Sentir?
Ela desviou o olhar, focando nos documentos. Cada palavra dele era um desafio silencioso, cada presença dele era uma provocação calculada.
— Eu não vou ceder — murmurou, firme.
— Ainda não — disse ele, como se estivesse confirmando algo que ninguém mais podia ver.
Durante a reunião, ele sentou-se de frente para ela, em silêncio a observando. Cada gesto dela, cada respiração, cada movimento de mão enquanto tomava notas, era registrado pelo olhar penetrante dele. Laura sentiu a tensão crescer, mas continuou a conduzir a reunião com precisão e segurança.
No intervalo, enquanto se levantavam para tomar água, James se aproximou novamente. O corpo dele encostou quase imperceptivelmente no dela enquanto passava, e ela sentiu uma eletricidade silenciosa percorrer a espinha.
— Você tem certeza de que consegue ignorar tudo isso? — ele perguntou baixo, quase num sussurro, perto o suficiente para que apenas ela ouvisse.
— Tenho — respondeu, mantendo o tom firme. — Posso lidar com distrações.
— Não é distração — disse ele, com um sorriso que misturava arrogância e interesse. — É curiosidade. Sobre você.
Ela manteve a postura, respirou fundo e deu um passo para trás, criando distância.
— Eu sei o que faço. — Ela não ia dar o gostinho de fraqueza.
Quando a reunião terminou, James ainda estava lá, a olhando sair. Ela sentiu o olhar dele acompanhando cada passo, cada movimento, cada decisão. Ela resistiu de verdade, mas o efeito era claro: a presença dele queimava lentamente, e ela sabia que essa guerra estava apenas começando.
No caminho de volta, Laura encontrou Vik, que sorriu maliciosa:
— Ele está te testando, não está?
— Sim — Laura admitiu, suspirando. — Mas eu não vou ceder.
— Ceder? — Vik riu. — Não se trata de ceder. Ele quer que você sinta. Que reaja. Que queira. Mas você vai se manter firme.
Laura fechou os olhos.
— Não sei se estou forte o suficiente para isso.
— Está — Vik respondeu. — E se não estiver, nós ajustamos o plano.
Laura sorriu levemente. Por mais que James fosse intenso, perigoso, imprevisível e provocador, ela estava aprendendo algo vital: resistir também era prazeroso — e empoderador.
E James McCall?
Ele sabia que tinha encontrado alguém que não cedia facilmente. E isso, para ele, era incrivelmente excitante.