Laura Martins entrou na sala de reuniões da McCall Corp com a postura impecável. Cada passo calculado, cada gesto firme, cada olhar decidido. Não iria demonstrar nervosismo, medo ou curiosidade descontrolada. Ela havia passado os últimos dias reforçando uma única ideia: não ceder. Não importar-se. Não se perder.
— Laura, bom dia — disse Adrian, seu contato de confiança na empresa. — Hoje temos a reunião com a diretoria do Grupo McCall. Eles esperam você à altura.
— Claro — respondeu Laura, com um sorriso contido. — Preparada como sempre.
Enquanto conferia os últimos documentos, percebeu o que inevitavelmente aconteceria. O ar da sala parecia mudar quando James McCall entrou. Não houve anúncio, não houve formalidade exagerada. Ele apenas entrou, e o mundo dela, por um instante, girou de maneira errática.
James McCall. Coração de Gelo. O homem que não sabia o significado de “não” e que agora estava ali, olhando diretamente para ela, como se o simples ato de existir tivesse um propósito: testá-la.
Ele não disse uma palavra de imediato. Apenas observou. O terno escuro impecável, postura ereta, olhar penetrante. Ele sabia que tinha poder. Ela sabia que ele sabia. Um jogo de xadrez silencioso começava.
— Vamos começar? — Laura tomou a iniciativa, sentando-se à frente da mesa. — Todos os documentos estão revisados e atualizados.
James ergueu uma sobrancelha, avaliando cada detalhe dela, cada gesto, cada respiro. Ele não precisou falar. O silêncio era carregado de tensão suficiente para incendiar a sala.
— Ótimo — disse ele, com a voz baixa e controlada. — Fico feliz que esteja preparada.
Ela sentiu o calor subir, mas manteve o olhar firme.
Não havia vulnerabilidade. Não havia medo. Apenas profissionalismo… e desafio contido.
— Como sempre — ela respondeu. — Profissionalismo não é opcional.
James sorriu de lado, sutil, mas seu olhar queimava.
— Nem interesse pessoal.
— Nem interesse pessoal — ela repetiu, com firmeza.
O restante da reunião passou em um borrão de gráficos, propostas e números. Mas a tensão entre eles era palpável. Cada frase de James parecia ter camadas ocultas, cada olhar dele sugeria possibilidade ou desafio, e cada resposta dela refletia força e resistência.
No meio da discussão, ele a interrompeu:
— Uma sugestão, Laura. Talvez fosse mais eficiente se considerássemos este ponto… — ele apontou, aproximando-se levemente, de forma que sua proximidade fosse sentida, mas sem invadir completamente.
Ela manteve o espaço, ajustou os papéis e respondeu:
— Sua sugestão é válida, mas os dados indicam outra estratégia. Eu mantenho a análise do meu time.
James ergueu as mãos em aparente rendição. Mas o olhar… ah, o olhar dele dizia tudo que ele não falava: isso é mais divertido do que imaginei.
Quando a reunião terminou, Laura respirou fundo, sentindo o corpo tremer minimamente. Ela resistiu, ficou firme, se posicionou como igual, mas cada palavra dele havia deixado uma marca invisível.
— Excelente apresentação, Laura — ele disse, enquanto saíam da sala. — Continue assim e talvez eu mude minha opinião sobre você.
— Sobre mim? — ela perguntou, controlando cada inflexão da voz.
— Sobre a capacidade de me surpreender — respondeu ele, calmamente, sem se apressar em deixá-la fora de controle. — Mas não confunda competência com aprovação pessoal.
Ela sorriu, firme.
— Não confundo.
Ao sair, ela sentiu o peso de cada olhar que James deixava no caminho.
Não havia beijo, não havia toque, mas havia intenção, cálculo, jogo de poder.
Enquanto descia pelo elevador com Vik no caminho de volta, ela tentou desabafar:
— Ele é… irritante.
— Mais que isso — Vik respondeu. — Ele é a tempestade que você não quer, mas que não consegue parar de observar.
Laura suspirou.
— Eu resisti.
— E vai resistir de novo. E de novo. Até que um deles ceda.
E naquele momento, Laura percebeu: resistir era apenas o começo.
James McCall não era um homem que aceitava “não” sem provocar. E, por mais que ela tentasse, ele iria continuar testando os limites dela — e ela não poderia fugir disso.