CAPÍTULO 6 — Fogo Contido

Laura se sentou à mesa da cozinha, mexendo distraidamente no café da manhã enquanto Vik dançava com a música que saía do rádio. O som alto e vibrante parecia rir dela: rir de seus pensamentos, do cartão de James, do e-mail, da reunião.

— Você está pensando nele de novo — Vik disse, girando para encará-la com aquele sorriso travesso.

— Não estou! — Laura respondeu rápido demais. — Só… revisando o planejamento da semana.

— Ah, claro — Vik riu, batendo a colher na mesa. — Planejamento ou devaneios sobre o CEO gelado?

Laura revirou os olhos, mas o coração acelerou de forma inconfundível. Por mais que tentasse racionalizar, não podia negar a lembrança de como ele a olhou na reunião, como cada palavra dele parecia desafiar e provocar ao mesmo tempo.

— Ele é irritante — Laura murmurou. — Inteligente demais, arrogante demais… e incrivelmente…

— Gostoso demais, não me diga — Vik completou, com aquele sorriso de quem sabe que está arrancando confissão.

Laura bufou, mas não respondeu. Ela sabia que Vik tinha razão, e não precisava dizer mais nada. A tensão crescia dentro dela como um fio de eletricidade que não podia soltar, mas também não podia ignorar.

O dia passou entre relatórios, reuniões e ligações telefônicas. Cada mensagem de McCall Corp parecia um lembrete de que ele estava sempre presente, mesmo sem aparecer.

Quando a noite chegou, Vik insistiu em arrastá-la para jantar fora — não que Laura precisasse de distração, mas qualquer rotina que tirasse sua mente do CEO gélido era bem-vinda.

No restaurante, enquanto analisava o menu, sentiu um calafrio.

— Laura, você está olhando para alguém? — Vik sussurrou.

Ela desviou o olhar, mas não rápido o suficiente.

James McCall entrou. Terno escuro, postura impecável, presença que preenchia a sala antes mesmo que ele se sentasse. Seu olhar encontrou o dela instantaneamente. Sem surpresa, sem hesitação. Apenas intenção.

— Boa noite — disse ele, com a voz baixa, firme, mas controlada. — Espero não ter interrompido nada.

— Não — Laura respondeu, mantendo o tom calmo, como se ele fosse apenas mais uma presença no restaurante, embora cada músculo de seu corpo estivesse alerta.

Eles se sentaram em mesas diferentes, mas o efeito era o mesmo: um campo invisível de tensão, visível apenas para eles dois.

Enquanto jantava, James não tirava os olhos dela, estudando cada movimento, cada gesto, cada sorriso contido. Laura sentia o peso desse olhar, mas respirava fundo e focava na comida, nos detalhes do cardápio, em qualquer coisa que não fosse ele.

— Ele não desiste, não é? — Vik comentou baixinho.

— Não — Laura respondeu, mordendo o lábio. — E não vou deixar.

Mas naquele instante, quando ele se levantou para falar com o garçom e seu olhar cruzou o dela, Laura sentiu uma mistura de frustração e excitação que não podia ignorar.

— Você está segura de que pode resistir? — ela murmurou para si mesma.

— Com certeza — respondeu, tentando convencer a si mesma. — Eu sou mais forte que isso.

James voltou à mesa dele. Mas antes de se sentar, deixou escapar um sorriso mínimo, quase imperceptível, que dizia: isso ainda vai ser divertido.

E Laura soube que a guerra de olhares, provocações e limites tinha apenas começado.

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