Laura releu o cartão pela terceira vez.
James McCall.
CEO.
O papel parecia pesar mais do que deveria entre seus dedos.
— Você vai continuar encarando isso ou vai rasgar logo? — Vik perguntou, sentada no sofá, com uma taça de vinho.
— Nenhuma das opções — Laura respondeu, colocando o cartão dentro da gaveta da cozinha. — Não vou ligar.
Vik arqueou a sobrancelha.
— Você beijou o homem mais perigoso da cidade e agora vai fingir que não aconteceu?
— Exatamente.
— Laura…
— Vik, não — ela interrompeu. — Eu acabei de sair de um relacionamento onde fui diminuída, controlada e descartada. Não vou pular direto para outro homem poderoso achando que ele vai ser diferente.
Silêncio.
Vik suspirou, vencida.
— Tá bom. Mas só pra constar… ele quer você.
— Querer não é o mesmo que respeitar.
Laura passou a noite inquieta.
Pensou no olhar dele. Na calma excessiva. Na forma como disse seu nome como se já tivesse algum direito sobre ele.
Aquilo a incomodava.
Na manhã seguinte, o universo resolveu provocá-la.
O e-mail chegou às 9h12.
De: James McCall
Assunto: Jantar
Curto. Direto. Arrogante.
> Laura,
Jantar hoje, 20h.
Restaurante Bellamy.
— James
Ela riu, sem humor.
Sem “por favor”.
Sem pergunta.
Apagou o e-mail.
Ou… quase.
Minutos depois, outro chegou.
> Você não respondeu.
Ela fechou os olhos.
Respirou fundo.
E respondeu.
> Sr. McCall,
Aquilo foi um momento impulsivo.
Não tenho interesse em dar continuidade.
Laura.
O celular vibrou quase imediatamente.
Número desconhecido.
— Não… — murmurou.
Atendeu.
— Você responde rápido quando quer — a voz dele era baixa, controlada.
— Eu disse não — ela respondeu, firme. — E não gosto de homens que ignoram isso.
Houve uma pausa.
— Interessante — ele disse. — A maioria treme quando me diz não.
— Eu não sou a maioria.
— Eu sei.
O tom dele não mudou. Isso a irritou mais do que qualquer insistência.
— Você não me conhece — Laura continuou. — Não sabe o que eu quero, o que eu preciso ou o que eu recuso.
— Eu sei que você está tentando se convencer disso — ele respondeu. — Mas respeito sua decisão.
Ela franziu o cenho.
— Respeita?
— Por hoje.
O sangue dela ferveu.
— Não existe “por hoje”. Existe ou respeita ou não respeita.
Silêncio do outro lado.
— Jantar cancelado — ele disse, por fim. — Mas não o interesse.
— Problema seu.
Ela desligou antes que ele pudesse responder.
O coração batia forte, mas havia algo novo ali.
Orgulho.
Ela passou o dia inteira esperando se arrepender.
Não se arrependeu.
À noite, saiu com Vik. Cinema. Conversas banais. Vida normal.
Mas ao voltar para casa, encontrou algo na portaria.
Uma caixa pequena.
Sem cartão.
Dentro, um livro.
“O Poder da Escolha.”
Na primeira página, uma frase escrita à mão:
Resistir também é uma forma de força.
— J.M.
Laura fechou o livro devagar.
Ele não tinha avançado.
Não tinha forçado.
Não tinha insistido.
E isso, de alguma forma, foi mais perturbador do que se tivesse.
Ela apoiou o livro no peito.
— Merda… — sussurrou.
James McCall não estava tentando possuí-la.
Estava esperando que ela escolhesse.
E Laura ainda não sabia se isso a deixava aliviada…
ou perigosamente curiosa.