A cozinha estava tomada por luz e cheiro de tempero.
O vapor subia da panela, e Francine, de avental emprestado e cabelo preso num coque improvisado, já se sentia em casa outra vez.
Malu cortava legumes com destreza, o rádio tocava uma música animada, e por alguns minutos o tempo pareceu desacelerar.
— Olha só — disse Malu, cruzando os braços e encarando as mãos de Francine, que descascavam batatas com cuidado —, as mãos da madame ainda sabem como se trabalha.
Francine levantou o queixo, fingindo indignação.
— Claro que sabem! Tá achando que dinheiro cai do céu? Eu tive que ralar muito em Paris.
Malu arqueou as sobrancelhas, divertida.
— Do céu eu não sei, mas da conta do Dorian pra sua, eu sei que cai.
Francine riu alto, aquela risada gostosa que enchia o ambiente de vida.
— Menina, nem me lembre! Acho que posso ficar um ano sem trabalhar e ainda vou ter dinheiro sobrando. Esse homem não tem noção do que a gente passa!
— A gente não, né, você — Malu retrucou, mexendo o molho com a c