Maxim Sokolov sempre fora um homem difícil de decifrar. Raramente levantava a voz, raramente demonstrava explosões de raiva. Mas, quando algo o incomodava, a atmosfera em torno dele mudava, como se até o ar tivesse medo de se mover em sua presença.
Naquela noite, Amélia percebeu esse ar diferente assim que ele entrou no quarto. Não havia beijo em sua testa, não havia abraço. Apenas um olhar fixo, pesado, que fez a espinha dela se enrijecer.
— Onde esteve hoje à tarde? — ele perguntou, a voz bai