BLANCA
BLANCA
A primeira coisa que eu aprendi depois de ir embora foi que dor muda de forma quando você muda de lugar.
Ela não some — quem promete isso está mentindo — mas ela perde o eco. Para de bater nas mesmas paredes. Para de repetir as mesmas cenas. Vira algo mais… administrável.
Eu me mudei de cidade com uma mala grande demais para alguém que dizia estar recomeçando e um filho que fingia coragem melhor do que eu. Escolhi um lugar onde ninguém sabia meu sobrenome, onde ninguém me olhava com pena disfarçada de curiosidade, onde eu não era “a noiva de” ou “a irmã de”.
Aqui, eu era só Blanca.
O apartamento era pequeno, claro demais, silencioso demais no começo. As caixas ficaram fechadas por dias. Não por preguiça. Por medo. Desempacotar era admitir que aquilo não era temporário.
Mas o tempo tem um jeito inconveniente de continuar andando mesmo quando a gente fica parada.
Meu filho se adaptou antes de mim. Crianças sempre fazem isso. Ele fez amigos, decorou o caminho da escola, es