Capítulo 36 • Connor

CONNOR

Meu dedo pairou sobre a tela do celular tempo demais.

Eu já tinha ensaiado aquela ligação umas dez vezes na cabeça. Em todas, eu desligava antes do primeiro toque. Em todas, eu dizia a mim mesmo que silêncio também era uma escolha. Até perceber que o silêncio, naquele ponto, estava virando covardia.

Quando finalmente liguei, meu coração batia como se eu estivesse prestes a cometer outro erro irreversível.

Ela atendeu rápido demais.

— Você não devia ligar.

A voz dela saiu firme, controlada. Aquilo me doeu mais do que se estivesse chorando. Porque significava que ela estava segurando tudo sozinha.

— Eu sei — respondi. — É por isso que vou ser rápido.

Fechei os olhos, apoiando a cabeça na parede do quarto. Não queria vê-la na minha mente enquanto falava. Não queria lembrar do rosto dela quando se rendia, quando me enfrentava, quando fingia que estava tudo bem.

— Você está bem? — perguntei, mesmo sabendo que era uma pergunta estúpida.

Houve uma pausa curta demais.

— Não. Mas isso n
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