CONNOR
Meu dedo pairou sobre a tela do celular tempo demais.
Eu já tinha ensaiado aquela ligação umas dez vezes na cabeça. Em todas, eu desligava antes do primeiro toque. Em todas, eu dizia a mim mesmo que silêncio também era uma escolha. Até perceber que o silêncio, naquele ponto, estava virando covardia.
Quando finalmente liguei, meu coração batia como se eu estivesse prestes a cometer outro erro irreversível.
Ela atendeu rápido demais.
— Você não devia ligar.
A voz dela saiu firme, controlada. Aquilo me doeu mais do que se estivesse chorando. Porque significava que ela estava segurando tudo sozinha.
— Eu sei — respondi. — É por isso que vou ser rápido.
Fechei os olhos, apoiando a cabeça na parede do quarto. Não queria vê-la na minha mente enquanto falava. Não queria lembrar do rosto dela quando se rendia, quando me enfrentava, quando fingia que estava tudo bem.
— Você está bem? — perguntei, mesmo sabendo que era uma pergunta estúpida.
Houve uma pausa curta demais.
— Não. Mas isso n