BROOKE
Quando Blanca foi embora, a casa ficou grande demais.
Não grande de espaço — grande de silêncio. Um silêncio que parecia me observar, como se soubesse exatamente o que eu tinha feito e estivesse só esperando eu admitir.
Fechei a porta e encostei a testa na madeira. Não chorei. Ainda não. Meu corpo parecia ocupado demais segurando tudo no lugar, como um prédio prestes a desabar que continua em pé por pura teimosia estrutural.
Caminhei pela casa recolhendo copos, a garrafa vazia, vestígios da noite anterior. Apagar rastros sempre foi uma especialidade minha. No trabalho, na vida, no amor.
Na pia, minhas mãos começaram a tremer.
Foi ali que senti.
A culpa não veio como explosão. Veio como algo mais cruel: uma consciência calma. Clara. Implacável.
Ela confiou em você.
Lavei o copo com força demais, como se pudesse esfregar aquela frase até ela desaparecer. Não adiantou. Nada adiantava.
Blanca tinha encostado a cabeça no meu ombro. Tinha chorado por ele comigo ali, respirando o mesm