Entre céus e decisões, a isca cruza fronteiras
ANDRÉ MARTINS
Saímos às cinco da manhã. A pista do aeroporto de Guarulhos ainda dormia em névoa quando entramos no avião comercial: gente com olheiras, cafés na mão, um mundo que não sabe que, naquele dia, estava levando uma mulher para fora do país porque um mafioso decidiu sentir fome. Sento ao lado da Norman e olho para ela. Nunca a vi tão pequena quanto naquele momento — o rosto sulcado de preocupação, o cabelo preso, as mãos inquietas sobre a