Quando o cuidado vira outra coisa, e a ética grita.
NOÊMIA ANDRADE PAIXÃO
A água ainda escorria pelos azulejos quando eu terminei de enxugar o senhor Amaro. O vapor subia do box como um véu, o cheiro de sabonete neutro misturado ao perfume que ele sempre usa — algo amadeirado, insistente. Fazia parte do meu trabalho tornar aquilo íntimo sem que o íntimo precisasse existir. Eu já cuidei de muita gente: febres, fraturas, ressacas de poder. Mas há diferenças entre cuidar e pertencer. Eu sabia del