Quando a guerra pede herança
AMARO CASSANI
O jantar terminou em silêncio confortável. O aroma do molho ainda pairava no ar, misturado ao vinho tinto que descansava na taça. Eu observava Noêmia recolher os pratos com a governanta, a forma delicada com que ela agradecia cada gesto da velha senhora. Por um instante, senti um fragmento de lar — algo que não tinha nome em minha vida há décadas.
Ela voltou para a mesa, colocou a mão sobre o encosto da minha cadeira e sorriu com suavidade:
— Eu vou pr