Quando a aparência vira arma
AMARO CASSANI
Entrei em casa com passos medidos — o suficiente para que a governanta levantasse o olhar e Noêmia, na cozinha, oferecesse o braço. A bengala? Um adereço que uso quando convém. Não porque eu não possa andar sem ela; porque, se eu aparentar depender, alguém permanece. É assim que se prende atenção. Hoje precisava disso mais do que nunca.
A cozinha cheirava a alho e manteiga; Noêmia e a governanta riam baixinho, picando ervas. A domesticidade me dava nos