A primeira noite sem Daniel foi mais longa do que Júlia imaginou.
Não pela ausência do corpo ao lado, mas pelo silêncio que parecia ocupar espaços novos. A casa, antes viva com pequenos ruídos compartilhados, agora tinha sons próprios. O estalo da madeira. O vento batendo na janela. O relógio marcando horas que pareciam mais lentas.
Júlia deitou-se do lado esquerdo da cama por hábito, mesmo sabendo que o direito estava vazio. Não mudou os lençóis. Não apagou vestígios. Não por apego doentio, mas porque não queria transformar a ausência em negação.
Ela precisava sentir.
O sono veio fragmentado. Entre sonhos curtos e despertares silenciosos, Júlia pensava em Daniel em outra cidade, em outro quarto, talvez encarando o mesmo teto estranho. Não havia ciúme. Havia saudade. E uma pontada fina de insegurança que ela reconheceu rápido demais para permitir que crescesse.
— Eu fico — repetiu para si mesma, no escuro.
Na manhã seguinte, acordou cedo, mesmo sem compromisso imediato. O corpo pareci